domingo, 15 de julho de 2012

Reflexão sobre o efeito "Tiririca"

Li na internet que há 50 comediantes e palhaços candidatos às próximas eleições municipais, inspirados no sucesso obtido pelo comediante e palhaço “Tiririca”, eleito com cerca.de 1,3 milhão de votos para deputado federal pelo estado de São Paulo.
Francamente, não vejo razão para essa discriminação feita pela imprensa em relação a esses profissionais, os quais considero cidadãos comuns no exercício de seus direitos políticos e perfeitamente aptos ao exercício da representação política em todos os níveis.
Há o aspecto pitoresco da demanda política por uma categoria ainda considerada marginal num país acostumado a listar candidatos engenheiros, advogados, médicos, jornalistas, professores, empresários, militares, comerciantes, agricultores, etc.-profissionais tradicionais do recrutamento político, que hoje consolidam um corporativismo visível na Câmara dos Deputados, com suas respectivas “bancadas” profissionais atuando paralelamente às “bancadas” regionais do Nordeste, Norte,Centro-Oeste,Sudeste e Sul.
O corporativismo, instituição antiga no mundo inteiro, assim se estrutura em duas camadas, na Câmara dos Deputados, sobrepondo-se à missão representativa individual que Edmund Burke, em meados do século XVIII, qualificava como “mandato imperativo”,quando o eleito atua subordinado ao seu eleitorado, e “mandato delegado”,quando o eleito decide sem ouvir suas bases.
A super-representação ou a sub-representação, duas distorções existentes no sistema representativo brasileiro, têm origens estruturais e conjunturais, históricas, políticas, sociais e culturais, e os 513 deputados federais representam 190,7 milhões de brasileiros com as mais assustadoras assimetrias. Por exemplo: Um voto do eleitor de Roraima vale o mesmo que o de 12,7 eleitores do estado de São Paulo.
Consultado, certa vez, a respeito dessa distorção, sugeri a um candidato de São Paulo que transferisse seu título para Roraima e fosse disputar mandato naquele Estado longínquo, hoje alvo da cobiça internacional e com boa parte de seu território transformado em reservas indígenas suspeitas. Em outras regiões, onde o voto é decidido na base do trabuco, a questão do risco é a mesma e desestimula os puristas da representação simétrica.
É uma questão muito complexa, que o Brasil empurra com sua barriga ao longo da sua história constitucional, que chega hoje à fixação do mínimo de oito deputados por estado, e não vejo possibilidade de que seja resolvida de acordo com padrões da matemática política idealista.
O Brasil é um país de assimetrias em todas as expressões do poder nacional, e essas assimetrias se projetam no campo das oportunidades. O sistema de quotas, com a denominada “discriminação positiva”, para resgatar injustiças históricas, como as geradas pelo escravismo contra os negros e índios, não passa de um remendo moral e ético, que acaba ficando pior do que o soneto. Idêntico raciocínio aplico para a redução da desigualdade econômica e social mediante políticas públicas assistencialistas... Não há outra solução que passe ao largo do desenvolvimento integral do Brasil.

Rosane e o preço do poder


Rosane Brandão Malta, ex-primeira dama Rosane Collor e ex-mulher do Presidente Fernando Collor, prepara o lançamento de um livro contando alguns detalhes da vida do casal antes, durante e depois da conquista do poder.
Collor governou o Brasil de 15 de março de 1990 a 29 de dezembro de 1992, tendo sido destituído da Presidência, por impedimento aprovado pelo Congresso Nacional, sob acusação de improbidade administrativa, após denúncias de ligações com seu tesoureiro de campanha PC Farias, contidas em dossiê divulgado pelo seu próprio irmão, Pedro Collor.
Foi um processo conturbado de acusações contra o Presidente Collor, alimentado pela oposição do Partido dos Trabalhadores, liderado por Lula, e pelas manifestações, nas ruas das principais capitais brasileiras, de milhares de jovens estudantes favoráveis ao impedimento do Presidente, no movimento denominado “Caras Pintadas”.
Em longa entrevista ao programa “Fantástico”, da TV Globo, Rosane adiantou alguns tópicos da obra, que, certamente, reavivará, no imaginário do povo brasileiro, a figura do hoje discreto senador de Alagoas, que completa, no próximo dia 12 de agosto, 63 anos de idade.
Rosane, hoje ativista do movimento evangélico, confirma as ligações à época do Presidente Collor com PC Faria, a desenvoltura desse empresário nos escaninhos do poder, com visitas semanais à Casa da Dinda, mansão da família Collor em Brasília, e revela detalhes de sessões de magia negra que Collor realizava no porão de sua residência.
Quando PC Farias foi assassinado em sua casa. De praia, em Alagoas, em 23 de junho de 1966, com sua namorada Suzana Marcolino, o casal Collor e Rosane se encontrava a passeio no Taiti. Rosane não acredita que Collor tenha qualquer envolvimento com o assassinato do empresário, fato que até hoje continua envolto em mistérios.
Divorciados desde 2005, Rosane e Collor disputam na justiça alguns bens, e a ex-mulher pede revisão do valor da pensão alimentícia, atualmente fixado em 18 mil reais, quantia que Roseane considera insignificante, diante do patrimônio de Collor.
Rosane afirma que já recebeu ameaças anônimas e se considera “um arquivo vivo”, e responsabiliza previamente Fernando Collor de Mello por qualquer atentado que venha a sofrer. Collor, procurado pela TV Globo, se recusa a fazer qualquer comentário.
Relato o assunto, já amplamente noticiado, para os leitores deste blog no exterior, que não tiveram a oportunidade de assistir a entrevista de Rosane. Mas, concluo que o poder tem seu preço, e o tempo sempre revela seu valor, qualquer que seja o homem público que dele desfruta.
Recordo o que disse Lord Acton"O poder tende a corromper; o poder absoluto corrompe absolutamente."

sábado, 14 de julho de 2012

Reflexão sobre o "efeito Tiririca"


Li na internet que há 50 comediantes e palhaços candidatos às próximas eleições municipais, inspirados no sucesso obtido pelo comediante e palhaço “Tiririca”, eleito com  cerca.de 1,3 milhão de votos para deputado federal pelo estado de São Paulo.
Francamente, não vejo razão para essa discriminação feita pela imprensa em relação a esses profissionais, os quais considero cidadãos comuns no exercício de seus direitos políticos e perfeitamente aptos ao exercício da representação política em todos os níveis.
Há o aspecto pitoresco da demanda política por uma categoria ainda considerada marginal num país acostumado a listar candidatos engenheiros, advogados, médicos, jornalistas, professores, empresários, militares, comerciantes, agricultores, etc.-profissionais tradicionais do recrutamento político, que hoje consolidam um corporativismo visível na Câmara dos Deputados, com suas respectivas “bancadas” profissionais atuando paralelamente às “bancadas” regionais do Nordeste, Norte,Centro-Oeste,Sudeste e Sul.
O corporativismo, instituição antiga no mundo inteiro, assim se estrutura em duas camadas, na Câmara dos Deputados, sobrepondo-se à missão representativa individual que Edmund Burke, em meados do século XVIII, qualificava como “mandato imperativo”, quando o eleito atua subordinado ao seu eleitorado, e “mandato delegado”, quando o eleito decide sem ouvir suas bases.
A super-representação ou a sub-representação, duas distorções existentes no sistema representativo brasileiro, têm origens estruturais e conjunturais, históricas, políticas, sociais e culturais, e os 513 deputados federais representam 190,7 milhões de brasileiros com as mais assustadoras assimetrias. Por exemplo: Um voto do eleitor de Roraima vale o mesmo que o de 12,7 eleitores do estado de São Paulo.
Consultado, certa vez, a respeito dessa distorção, sugeri a um candidato de São Paulo que transferisse seu título para Roraima e fosse disputar mandato naquele Estado longínquo, hoje alvo da cobiça internacional e com boa parte de seu território transformado em reservas indígenas suspeitas. Em outras regiões, onde o voto é decidido na base do trabuco, a questão do risco é a mesma e desestimula os puristas da representação simétrica.
É uma questão muito complexa, que o Brasil empurra com sua barriga ao longo da sua história constitucional, que chega hoje à fixação do mínimo de oito deputados por estado, e não vejo possibilidade de que seja resolvida de acordo com padrões da matemática política idealista.
O Brasil é um país de assimetrias em todas as expressões do poder nacional, e essas assimetrias se projetam no campo das oportunidades. O sistema de quotas, com a denominada “discriminação positiva”, para resgatar injustiças históricas, como as geradas pelo escravismo contra os negros e índios, não passa de um remendo moral e ético, que acaba ficando pior do que o soneto. Idêntico raciocínio aplico para a redução da desigualdade econômica e social mediante políticas públicas assistencialistas... Não há outra solução que passe ao largo do desenvolvimento integral do Brasil.
O nexo entre os candidatos inspirados em “Tiririca” e a realidade brasileira é a busca de justiça social, o desejo de reconhecimento e participação política em uma sociedade pouco permeável ao ideal de cidadania. Vida de comediante ou palhaço não é fácil; se tais profissões começam a viabilizar a inserção política e social, então “Tiririca” já fez muito mais pela política brasileira do que seus críticos e, talvez, até ele mesmo  imaginam...